Sacro Império Romano-Francês


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 O Brasil dos outros 500


Capital política: Paris (2.053.000 h); Capital religiosa: Roma (175.000 h); População: 118.002.000 (estimativa para 1780, incluindo 11 milhões nas possessões norte-africanas); Maiores cidades: Londres (575.000 h), Viena (476.000 h), Berlim (442.000 h), Nápoles (413.000 h), Lyon (342.000 h), Marselha (318.000 h), Cairo (267.000 h), Dublin (260.000 h), Milão (242.000 h), Barcelona (190.000 h), Budapeste (187.000 h), Praga (172.000 h), Munique (167.000 h), Bordéus (163.000 h), Varsóvia (160.000 h), Turim (160.000 h). Área: 2.544.264 km² na Europa, cerca de 1 milhão de km² na África; Produto Interno Bruto: 2.120.000 contos; Renda per capita: 17$950; Moeda: libra (£), moeda de prata equivalente a $120; divide-se oficialmente em 20 soldos e 240 dinheiros, mas há dezenas de diferentes nomes regionais para as moedas; as principais moedas de ouro são o ducado (£4 ou $480)  e a pistola (£8 ou $960); Línguas: o latim é a língua de todos os atos oficiais, do culto católico e também de grande parte da produção científica e filosófica, mas a língua geral da nobreza é o francês. As línguas populares mais difundidas são alemão (24%), francês (23%), italiano (15%) inglês (10%), árabe (9%), húngaro (6%), polonês (6%), tcheco (4%) e irlandês (4%), mas há dezenas de línguas menos importantes. Grupos Étnicos: europeus (90%), árabes (9%), outros (1%). Religiões: a igreja católica é oficial e teoricamente é a única que pode ser praticada em público; na prática há hoje certa tolerância para com as minorias muçulmana (9%), protestante (2%) e judaica (2%), mas nenhuma para com apostasias e heresias dentro da fé católica. Chefe de Estado: Imperador Luís XVI. Chefe de Governo: Primeiro-Ministro Wenzel Anton von Kaunitz. Chefe da Igreja: Papa Pio VI. Pesos e medidas: Oficialmente , utiliza-se o sistema tradicional francês, baseado na toesa (1,949 m), na libra (489,51 g), na pinta de Paris (0,94 l) etc.; na prática, cada região tem seu próprio sistema, o que pode causar muita confusão entre viajantes inexperientes. Calendário: gregoriano.

Território: o Sacro Império Romano da Nação Francesa compreende a maior parte da Europa Ocidental, com exclusão da Holanda, Suécia, Escócia, Portugal e da parte da antiga Espanha que foi dividida entre portugueses, incas e astecas. Também controla o vale do Nilo e a o Norte da África, mas nessas regiões sua dominação é desafiada pelo Califado Wahabita.

A industrialização concentra-se em torno de Paris, Londres, Milão, Berlim e vale do Reno: principalmente têxteis, com alguma metalurgia e construção naval. A economia ainda é basicamente agrária e pastoril, concentrando-se no cultivo de trigo, cevada, uvas, maçãs, peras e azeitonas e na criação de gado bovino, eqüino e ovino. As principais exportações são vinhos, azeite, cortiça, embutidos e objetos artísticos e artesanais. A incipiente rede de estradas de ferro, com cerca de 13.000 km, estende-se principalmente pela França, norte da Itália, Alemanha e Polônia  (unindo Paris, Marselha, Milão, Berlim, Viena e Varsóvia) e se interliga com a rede holandesa. Há trechos isolados menores na Inglaterra, Irlanda e sul da Itália.

O índice de alfabetização é de 40%; os indicadores de saúde são terríveis. Há muitas universidades de prestígio multissecular - como as de Bolonha (do século 11), Paris (século 12), Oxford, Cambridge, Montpellier, Aix-en-Provence, Padua, Roma, Florença, Praga, Viena, Heidelberg, Leipzig, Freiburg, Tübingen, Ingolstadt, Estrasburgo e Halle. Elas custam, porém a aceitar novos métodos e novas idéias; dominados por tradições filosóficas e religiosas, seus currículos permanecem semi-medievais e voltados para a formação de médicos, advogados e teólogos. Algumas novas universidades, porém, têm sido criadas segundo um modelo veladamente inspirado nas universidades luso-brasileiras e holandesas, valorizando as ciências naturais, a experimentação em laboratório, o rigor, a objetividade e até mesmo certa liberdade acadêmica. Entre estas, estão as de Göttingen, Berlim, Bordéus e Marselha. Seus graduados são valorizados pela Corte Imperial, mas ainda têm baixo status entre os acadêmicos formados pelas universidades tradicionais.

Apesar do governo imperial ter-se esforçado nos últimos 40 anos para modernizar as forças armadas e a economia, filósofos e cientistas ainda temem a Inquisição, que não coloca obstáculos à investigação factual, mas continua atenta a conclusões teóricas que possam conflitar com os dogmas católicos. Mesmo na medicina e na engenharia o atraso em relação ao Império Luso-Brasileiro ou à Holanda é da ordem de vinte anos; os melhores médicos e engenheiros procuram completar sua formação nas universidades holandesas, portuguesas ou brasileiras, ainda que isso possa mais tarde se transformar em prova contra eles, caso venham a ser processados por heresia ou apostasia. É na indústria naval e bélica que a tecnologia do Sacro Império mais se aproxima de suas rivais.

Governo: A junção gradual das coroas européias sob o cetro da casa de Bourbon-Habsburgo foi completada em 1736 com o casamento de Luís XV da França, Aragão e Inglaterra com Maria Teresa da Áustria e resultou num império europeu unificado, mas ainda há grandes variações entre instituições legais e políticas locais.

O poder temporal do imperador, que reside em Versalhes (perto de Paris), é teoricamente absoluto, assim como o poder espiritual do Papa. Na França, seu poder não sofre nenhuma limitação relevante. Porém,, sua ascensão ao trono imperial da Áustria e às coroas da Polônia, Boêmia e Hungria envolve uma série de complicados compromissos com a manutenção de privilégios locais, cuja manutenção é fiscalizada pelos Estados Gerais, uma assembléia que se reúne periodicamente em Viena formados por representantes da nobreza (1/3), do clero (1/3) e da burguesia (1/3).

O Sacro Império Romano hoje compreende 17 reinos – Irlanda, Inglaterra, França, Alemanha, Boêmia, Polônia, Lituânia, Hungria, Croácia, Itália, Nápoles, Aragão, Navarra, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito –, mais o Patrimônio de São Pedro e o Território de Malta. O Imperador é também o rei titular de cada um dos 17 reinos, governados através de vice-reis de sua confiança; o Patrimônio de São Pedro (centro da Itália), porém, é governado de forma quase totalmente independente pelo Papa e a Ilha de Malta, pela Ordem dos Cavaleiros Hospitalários. Dentro de muitos dos reinos há ducados, principados, condados, cidades livres e outros estados semi-soberanos. O mais importante destes é o ducado da Baviera, cujo titular exerce a liderança entre os aristocratas que resistem à centralização e racionalização do governo imperial.  

A nobreza (cerca de 3% da população) desfruta de isenção fiscal e do direito exclusivo a portar armas, possui a maior parte das terras agrícolas e alguns direitos feudais sobre os camponeses de suas propriedades; é proibida, porém, de exercer o comércio (com exceção do comércio exterior e da fabricação de armas) ou qualquer trabalho remunerado fora das Forças Armadas e da administração pública, salvo como mercenários ou professores. Aproximadamente 40% da nobreza é constituída de antigas famílias descendentes de senhores feudais (nobreza de extração, ou de espada) e o restante de burgueses elevados à nobreza por ato real ou imperial em data relativamente recente (nobreza de toga).

A nobreza titulada (barões, viscondes, condes, duques e príncipes) forma a aristocracia, uma classe de grandes proprietários rurais ainda mais privilegiada dentro da nobreza, num total de cerca de dez mil famílias. Cerca de mil famílias constituem os “grandes do Império”, com acesso privilegiado à corte imperial de Versalhes.

O clero (outros 2% da população) também é isento de impostos e controla a censura e grande parte da educação, além de muitos empregos na burocracia estatal.

A burguesia (cerca de 10% da população) detém o controle da maior parte das atividades produtivas, com exceção da agricultura. Seus membros mais prósperos podem ascender à nobreza, através de serviços prestados ao Imperador ou ao Estado, ou simplesmente comprando um título de nobreza.

Camponeses (75%) e proletários (10%) constituem a massa da superexplorada população, sobre a qual cai a maior parte dos impostos e, em algumas regiões, várias obrigações feudais em relação a senhores locais.

Avisos aos navegantes: A Inquisição pode representar um problema para viajantes que insistam em falar de idéias proibidas, entrar no Império com livros proibidos ou fazer qualquer coisa que se pareça com feitiçaria. Os nobres semi-independentes podem também tentar exercer seu arbítrio sobre estrangeiros indesejados, apesar de todos os salvo-condutos imperiais. Duelos são uma maneira ilegal mas comum de resolver divergências entre cavalheiros; recusá-los é considerado extremamente desonroso.

A lei é extremamente complicada e varia de local para local, mas sempre privilegia os nobres em relação à população geral e católicos em relação aos não-católicos. O clero está isento da justiça comum e seus crimes são julgado por tribunais canônicos especiais. Além do sistema judiciário ser lento e geralmente corrupto, as ordens do Imperador (e, às vezes, do senhor local) podem se sobrepor a qualquer de suas decisões. Advogados são indispensáveis no caso de processo formal.

Os domínios norte-africanos do Sacro Império constituem uma região perigosa, virtualmente uma zona de guerra. A oprimida maioria muçulmana revolta-se freqüentemente contra as forças de ocupação e os europeus ali estabelecidos; os beduínos fiéis ao Califado realizam incursões através do deserto e seus simpatizantes ocasionalmente assassinam funcionários do governo imperial e outros europeus eminentes.

Há muitas lendas e boatos sobre vampiros, bruxaria e lobisomens, cuja existência o típico camponês europeu considera indubitável.